quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Gerações Perdidas

Parte Um - O fim da paternidade?

 Os dados estatísticos mostram profundas mudanças na composição e organização da sociedade nas últimas décadas do século 20 e início do século 21, e, evidentemente, o foco dessas mudanças aparece no jeito como vivem as famílias e no resultante comportamento das pessoas.

 O crescente número de mulheres arrimo de família que participam do PHLP [programa de habitação popular do governo de Minas Gerais] confirma as estatísticas divulgadas recentemente pelo IBGE. Os dados mostram que em 1993 as mulheres eram arrimo de 3,4% das famílias no país, o que significava, na época, 301 mil núcleos familiares. Já em 2007, a taxa subiu para 18,3% de mulheres como chefes do lar, o que equivale a 3,6 milhões de famílias. Fonte: Jus Brasil(http://www.jusbrasil.com.br/politica/1731030/mulheres-chefes-de-familia-sao-destaque-no-lares-geraes).

 O modelo que tínhamos no passado

 Meu pai e minha mãe, como a maioria dos pais e mães, avôs e avós da geração deles, viveram muito tempo casados. Os meus estão casados há quase 70 anos. Durante o tempo em que convivemos, vi meu pai chegar todos os dias do trabalho, geralmente cansado, mas com um jeito de quem sabia o que estava fazendo. A comida e o banho dele sempre eram prioridades visto que era uma pessoa muito importante para a família. Nas refeições, que estavam sempre prontas na hora exata e necessária, todos nos sentávamos à mesa, principalmente no jantar. Papai lia um texto da Bíblia, e orávamos agradecendo a Deus pela comida. Só então comíamos, esperando meu pai falar sobre as coisas que lhe estavam interessando ou preocupando.

 Eu sabia que, um dia, teria de exercer o papel que meu pai exercia naquela época, ou seja, eu deveria preparar-me para sustentar a família que viesse a formar e ser o líder. Por esse motivo, eu prestava muita atenção ao que papai falava e fazia. Éramos muito pobres, mas parece que isso não assustava nenhum de nós. Na verdade, eu admirava muito meu pai, pois dar de comer a todos, em todas as refeições, prover roupas e o necessário para nossa sobrevivência faziam-me pensar em como ele era forte, inteligente e indispensável e o quanto era importante o que ele dizia.

 Minha mãe sempre reforçava o que meu pai dizia; mesmo quando ele não estava em casa. Ela sempre estava. Nossas tarefas eram feitas sob as ordens dela, nossa rotina era observada por ela, e, quando alguma coisa não andava bem, meu pai tinha de ser informado para ajudá-la a colocar-nos na linha. Tínhamos liderança presente 100% do tempo, e nada escapava a essa equipe de comando. Sabíamos que era assim e que sempre seria; portanto, não adiantava reclamar. Era entrar na linha e obedecer.

 Foi assim a minha vida e a da maioria dos da minha geração, com uma ou outra variação. Todos nós sabíamos que a responsabilidade por fazer-nos adultos era de nossos pais e, apesar de acharmos ruim, tínhamos consciência de que era assim que as coisas deveriam ser.

 O que mudou nesse modelo nos dias atuais?

 Onde está mamãe? Onde está papai? Ah, não estão, só está a empregada. Eles estão trabalhando. Papai levantou muito cedo porque trabalha longe, e mamãe levou as crianças para a escola ou para a creche. Agora, na hora do almoço, o transporte escolar trouxe-as para casa, onde foram recebidas pela empregada. Passaram a tarde vendo TV ou foram para a escola de inglês, para a natação ou para tantas outras atividades que criança precisa fazer para ser bem-sucedida e ficar rica quando crescer.

 À noite, papai chegou cansado e foi ver televisão depois de comer alguma coisa esquentada no micro-ondas, mas mamãe não veio. Ela está estudando porque, para ser promovida no emprego, precisa fazer um curso e chega muito tarde. Ouve-se dizer que ela ganha muito mais que papai, e que ele pode ser demitido do trabalho a qualquer hora com essa crise. As crianças não se sentaram à mesa porque comeram alguma coisa mais cedo; talvez, um sanduíche ou uma batata frita daquelas que vêm do supermercado.

 Claro que mamãe ligou várias vezes durante o dia para saber se estava faltando alguma coisa para as crianças. Afinal, ela tem de fazer tudo para que nada lhes falte e ainda vigiar para saber se a empregada está fazendo tudo o que faria se ela estivesse presente.

 Ainda poderíamos acrescentar mais alguns ingredientes nessa cena: os filhos do papai do casamento anterior que, às vezes, passam o final de semana aqui, ou o ex-marido da mamãe ou a ex-mulher do papai. Tem também o problema do namoro dessa filha do papai, de 14 anos, que fica sozinha com o namoradinho todas as tardes e que agora parece estar grávida. Outro problema: o irmão dela que está aprendendo a fumar maconha com o colega do andar de cima do prédio onde moram. Uma coisa é certa: apesar de tudo, vamos ao shopping, todos os finais de semana, comprar brinquedos e roupas, e agora estou ouvindo falar de uma casa nova num condomínio maravilhoso.

 Quem deu fim àquele núcleo familiar tão estável e aconchegante?

 Segundo Fritjof Capra[1], estamos assistindo ao encerramento de um dos mais longos ciclos históricos que a humanidade já viveu – o patriarcalismo. O machismo pressionou até o limite das possibilidades, desvalorizando o papel da mulher na família e causando a reação do feminismo. A mulher foi à luta (e ganhou), mas, para isso, precisou sair de casa e ir ao campo de batalha. Resultado: o capitalismo agradece, e a família fica de luto.

 Começou com o desejo da mulher de ser independente e mostrar, à sociedade machista, que também era capaz de ganhar dinheiro como qualquer homem. No fim, porém, o capitalismo descobriu que todas as habilidades femininas (que não são poucas) seriam um excelente diferencial competitivo para as empresas em um mercado exigente. Por esse motivo, desenvolveu-se um novo modelo de organização, mais feminino, mais relacional, mais comunicativo e eficaz, no qual a mulher passou a ser uma peça fundamental com todos os seus talentos e sua enorme capacidade de trabalho. É tão marcante a mudança que, certamente, as empresas que não adotarem esse novo modelo organizacional não sobreviverão aos novos tempos, pois se tornarão ultrapassadas.

 Peter Druker, um dos mais conhecidos estudiosos da administração e irmão em Cristo, diz que, daqui a uns anos, quando olharmos de uma perspectiva histórica, certamente concluiremos que um dos eventos mais marcantes da história recente da humanidade terá sido a inserção da mulher no mercado de trabalho como concorrente do homem. É importante que você saiba que a isso se deve esse fim melancólico, que estamos testemunhando, do ambiente aconchegante e seguro que eram os lares, onde a equipe de comando de uma casa estava presente e atuante. A terceirização da criação dos filhos é a tragédia maior que está mudando para pior a sociedade atual. Entregou-se a formação da próxima geração para a escola, para a televisão, para as babás e para o acaso.

[1] Para mais a respeito do assunto, ver: O ponto de mutação, de Fritjof Capra, Editora Cultrix.

 Parte Dois - Três perguntas que não querem calar

 Para entender as gravíssimas consequências dessa tão drástica mudança na família e na sociedade, eu gostaria de propor três perguntas:

1.   Qual é a principal missão de uma geração?
2.   Com quantos anos uma criança torna-se o “protótipo” do adulto que será no futuro?
3.   Quem é o personagem principal da primeira etapa da vida de uma criança?

 Pode ser que você pense que essas perguntas nada têm a ver com o que foi escrito anteriormente, mas pode acreditar que têm tudo a ver.
Vamos olhar, então, para a primeira pergunta.

 Qual é a principal missão de uma geração?

 Evidentemente, existe um mecanismo pensado pelo Criador, em seu projeto original, para o aperfeiçoamento dos filhos que nasceriam para povoar e dominar a Terra. Nesse mecanismo, previu-se um impulso para frente e para cima de forma geracional, pois, mesmo depois da Queda e até hoje, percebe-se o interesse de cada pai em fazer com que seus filhos sejam melhores do que ele próprio o foi.
O texto bíblico que nos dá base para pensar assim é o seguinte:

Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre seu galardão. Como flechas na mão do guerreiro, assim são os filhos da mocidade. Feliz o homem que enche deles a sua aljava; não será envergonhado, quando pleitear com os inimigos à porta (grifo meu). Sl 127.3-5.

 A herança do Senhor para uma equipe de trabalho: galardão do ventre para a mulher e flechas para um guerreiro. É uma linda figura: um jovem guerreiro tomando, de sua aljava, flechas das quais se orgulha por lhe terem sido confiadas e atirando-as longe, uma a uma, com cuidado, para um alvo que faz parte de suas melhores aspirações e ao qual jamais chegaria sem elas. Esse é seu trabalho, para isso se preparou; sua pontaria e força estão concentradas nessa ação. Lançar cada flecha é a missão de sua vida. Esse impulso e essa vocação pertencem a cada pai: lançar seus filhos para um futuro digno de uma vida que seja relevante para a sociedade em que vive e para o mundo. Essa vocação foi planejada e impressa por Deus no coração dos homens.

 Se pudermos concordar com a resposta de que a principal missão de uma geração é preparar a próxima para torná-la melhor e ir mais longe do que a atual, poderemos passar à próxima pergunta.

 Com quantos anos uma criança torna-se o “protótipo” do adulto que será no futuro?

 Para entendermos a validade dessa pergunta, é necessário dizer que várias correntes de pensamento, inclusive estudos da psicologia, afirmam que, ao final da primeira infância, com 7 anos de idade, o caráter de uma pessoa já está delineado, ou seja, estão lançados os alicerces do comportamento que vai formar a personalidade do adulto que se tornará.

 Embora possa haver questionamentos sobre isso, temos, em algumas culturas, observações bastante sólidas para fundamentar esse argumento. Entre os judeus, por exemplo, o tempo de encerramento da infância emocional é aos 12 anos (gosto muito, pois não diferenciam primeira ou segunda infância, nem pré-adolescência ou adolescência). A cultura judaica tem um ritual de passagem para encerrar a infância emocional chamado Bar-Mitzvah para os meninos e Bat-Mitzvah para as meninas.

 Esse ritual ocorre em meio a uma festa em que a criança é apresentada à sua comunidade como pronta para assumir o aprendizado da vida adulta e, a partir da qual, ela passa a responder por seus atos. Sua infância terminou. Até o dia anterior, a criança era filha de alguém; já, no dia seguinte, ela é alguém conhecido pelo nome e responsável por seus atos. Pode, agora, participar da vida adulta e é tratado como tal. Mesmo entre povos distantes, separados pelo tempo e pela geografia, é possível observar que rituais semelhantes acontecem nessa mesma época da vida das crianças. Tribos indígenas brasileiras, povos aborígenes na Austrália e até mesmo a arqueologia dão notícias desses rituais em eras passadas.[2]

 Existe, então, uma fase na vida de cada criança em que ela tem de ser tratada como tal, mas esse tempo precisa ter um fim. O tempo para lançar alicerces para uma vida adulta saudável e produtiva se dá entre o nascimento e os 12 anos de idade. O que passar disso pode ser considerado adolescência doentia e, pior, a inutilização de uma vida e de seu significado para a sociedade. Será que você está pensando sobre isso?

 Se pudermos concordar que a resposta à pergunta acima é a de que uma criança torna-se protótipo do adulto que será no futuro com aproximadamente 12 anos ou menos, então poderemos prosseguir para a próxima e última pergunta.

 Quem é o personagem principal da primeira etapa da vida de uma criança?

 Para uma melhor contextualização, é necessário lembrar o óbvio: no evento da concepção, o homem e a mulher têm 100% de participação e responsabilidade; daí para frente, porém, o homem apenas apoia, circunda, protege e supre (aliás, isso ele fará durante toda a vida, pois suprir é uma de suas principais atribuições). A mulher, por sua vez, nutre, em seu interior, a vida do bebê, mistura-se, influencia e é influenciada por ele. Toda a sua vida e energia concentram-se na nova vida que se desenvolve em seu ventre.

 Esse é um papel inalienável da mulher, e aí se estabelece toda a diferença de função entre os dois cônjuges que é eternamente proposital e não deveria ser discutida. Nessa diferença, reside, em síntese, a identidade do homem e da mulher. Nunca o homem poderá ser uma mulher, nem a mulher ser o homem. Qualquer discussão ou dúvida sobre isso é loucura e desvario.

 É desnecessária a apresentação da sequência do processo da procriação. Gestar uma vida é a glória e o galardão da mulher. Em 1 Timóteo 2.15, Paulo, o apóstolo, nos diz que é a própria salvação dela; é sua exclusiva atribuição, um processo que lhe transforma o corpo e a alma. Nove meses de angústia, expectativa, dor e alegria misturam-se para dar à luz um ser que será sua responsabilidade, seu dependente, sua carne e sua vida. A mulher foi equipada pelo Criador para exercer essa sublime função, recebendo dele dons especiais, tanto na área física quanto na emocional e espiritual, para que transforme o bebê de uma semente viva em um adulto em potencial.

 Ela o entenderá desde o berço, pois tem o dom da comunicação apuradíssimo. Ela falará com ele, com ou sem palavras, sobre tudo que ele ainda não consegue expressar. Saberá cada sentimento, entenderá cada olhar, cada choro, cada movimento. Ela é a comunicação em pessoa.

 A criança descobre o mundo pelos olhos da mãe. Com ela, aprende a falar, e muito do que viu em suas expressões e atos nos primeiros meses ficará profundamente gravado para toda a vida. Ela o cerca, ensina, corrige, alimenta, constrói hábitos em um tempo absolutamente recorde. No prazo de curtos anos, ele saberá todo o necessário a respeito do mundo pela instrumentalidade de sua mãe. Se ela tiver outros filhos, cada um será sempre único e, mesmo com vários ao seu redor, saberá tratar cada um individualmente.

 Ela é multifuncional, sabe onde estão tudo e todos o tempo todo. Consegue saber as necessidades gerais da casa, desde as roupas que estão gastas ou ficando pequenas até o arroz e o sal que precisam ser repostos. Ela tem o dom de cuidar do marido, saber o que ele está sentindo ou pensando mesmo que não diga uma palavra. Pode ter uma imensa rede de relacionamentos e dar atenção a todos os detalhes. Lembra-se do aniversário dos amigos e amigas, coleciona receitas de bolo, cuida das contas do banco, faz o orçamento doméstico. Sabe o que está acontecendo no andar de cima, onde as crianças estão fazendo as tarefas da escola, sabe ensinar matemática, português e geografia, pensa no que vai fazer de almoço e gerencia todas as variáveis ao seu redor com a mesma naturalidade com que continua conversando ao telefone com a amiga a respeito da festa da semana passada.

 Claro, sei o que você está pensando: “Esse cara conheceu a Amélia”, mulher idealizada em prosa e verso em nossa cultura e que atualmente se transformou em modelo ultrapassado. “Essa mulher não existe mais!” É verdade; infelizmente e desastrosamente é verdade. Deus criou a mulher para ser muito superior à nossa Amélia. Se quiser entender melhor esse assunto, leia Provérbios 31. A mulher idealizada por Salomão agora não cuida mais de sua casa, é profissional competente, estudada, gerente, diretora ou empresária. Seu marido não se senta mais à porta da cidade, não tem mais a honra que lhe cabe.

 Não há dúvidas de que Deus se expressou de maneira generosa quando criou a mulher e atribuiu-lhe tantos dons; quem melhor do que ela para ser responsável por essa primeira fase da vida das crianças? Poderíamos fazer uma lista incrível das habilidades que ela recebeu para exercer essa tarefa, porque ele sabe o quanto é importante lançar os fundamentos das gerações. Desde o Éden, essa tem sido sua estratégia.

[1] Para mais a respeito desse assunto, ver: Passagem para a vida adulta, de Jeff Brodsky, Bless Editora. 

 Parte Três - O que está por trás dessa engenharia do mal?

 O machismo histórico provocou a perda da autoridade moral do homem e a reação da mulher, que, agora, coloca a serviço do capitalismo tudo o que é e recebeu da parte de Deus para a construção das gerações. A mulher ganhou a guerra dos sexos e perdeu a posição de edificadora do lar. Tudo o que ainda consegue fazer nessa área precisa ser feito em regime de dupla jornada.

 O capitalismo a redescobriu e paga-lhe muito bem para deixar sua vocação divina de preparar os alicerces da nova geração e continuar sua “guerra” inglória contra um machismo que, há muito, desapareceu.

 O homem perdeu sua importância, tornou-se alvo de piadas, perdeu a posição de provedor da família. Agora, espera-se que ele desenvolva características do gênero feminino para conseguir manter-se nesse novo modelo de empresa.

 Os filhos perderam a mãe edificadora e formadora e ganharam babás e muitos presentes. Perderam também a identidade e não têm mais, na pessoa do pai, a referência de futuro e até mesmo de identidade sexual.

 Ouvi, há pouco tempo, um relato estarrecedor. Quando chamaram a atenção de um menino de 9 anos aproximadamente a respeito de ter uma postura de homem, este respondeu à interlocutora: “Eu não decidi se quero ser homem; ainda não fiz minha opção sexual”. Evidentemente, ele não tem um modelo que o ajude a orgulhar-se de ser homem; na verdade, nem sabe o que é isso, não tem dados suficientes para entender.

 Como cristãos, nossa esperança é a restauração de toda uma geração que tem, como chamado e vocação, participar dos eventos que antecederão a volta de nosso Senhor Jesus Cristo, a restauração da Igreja, a Noiva do Cordeiro. Mas, assim como no tempo de Herodes, quando este soube do nascimento de Jesus e mandou matar todos os pequeninos, nós também estamos assistindo à matança da geração que nos sucederá. Os métodos mudaram; como nosso inimigo sabe que tem de fazer isso em grande escala, arquitetou essa estratégia maligna. Tirando as referências e bases desta geração, as pessoas matarão a si mesmas, ficarão perdidas, vagando a esmo numa existência irresponsável, vazia e sem objetivos. “Sem visão o povo se corrompe...”

 A geração que chega à vida adulta, no tempo atual, não tem mais quem lhes construa os alicerces: as mães. Os pais, que deveriam lhes passar o legado de uma visão clara de vida e futuro, estão desacreditados e desorientados. Dessa forma, os filhos tornam-se presas fáceis das drogas, da depressão e da promiscuidade.

 Voltar ao passado ou entender o que Deus realmente quer?

 Por desventura, essas palavras parecem-lhe sugerir que estamos propondo uma “doutrina” para remeter-nos a um passado de dominação masculina e subserviência feminina? Que submissão a qualquer custo é a palavra de ordem? Que a supremacia masculina deve prevalecer para honra e glória do sexo forte? Nada mais equivocado. Tampouco estou sugerindo que as mulheres abdiquem da carreira profissional ou deixem o emprego, mesmo porque isso já não é mais possível naturalmente falando.

 Por acaso, homens, vocês já grifaram, em sua Bíblia, o texto de 1 Pedro 3.7? “Igualmente vós, maridos, vivei com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais frágil, e como sendo elas herdeiras convosco da graça da vida, para que não sejam impedidas as vossas orações”. Muita oração está interrompida por falta de revelação, por falta de amor, visto que Pedro continua: “Finalmente, sede todos de um mesmo sentimento, compassivos, cheios de amor fraternal, misericordiosos, humildes” (v.8).

 Parece-me que Pedro não era machista, nem Deus é machista, embora, infelizmente, muitas mulheres pensem assim. Certamente, Deus não o é, porque, quando criou Adão, ele o criou à sua imagem e semelhança. Se Eva estava em Adão, ou seja, as características do gênero feminino que fazem parte da expressão e imagem de Deus, como Deus poderia ser machista?

 Nem homem nem mulher são completos em si mesmos, e a graça da vida é a manifestação da vida de Jesus em ambos. Como o homem e a mulher são herdeiros juntos, se a graça da vida manifestar-se no amor entre eles, certamente não haverá dominação, desconsideração ou desonra, e a harmonia do propósito de Deus para a sua geração será alcançada, porque o fruto do amor é a presença de Deus.

 Não creio em volta ao passado, mas devemos crer, sem receio ou insegurança, na Palavra de Deus. Em Malaquias 4.4-6, está o recado de Deus para a nossa geração: “Lembrai-vos da lei de Moisés, meu servo, a qual lhe mandei em Horebe para todo o Israel, a saber, estatutos e ordenanças. Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor; e ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha, e fira a terra com maldição”.

 A respeito do que o profeta está nos alertando? O que seria essa maldição senão a perdição de toda uma geração? Quem deve se converter a quem? A quem deve chegar primeiro a palavra de arrependimento? Evidentemente, exige-se, dos mais maduros, mais responsabilidade, e a partir desse princípio óbvio, não pode restar dúvida com respeito à resposta a essas perguntas.

 O papel intransferível de um pai de verdade

 Se ficou claro o papel idealizado por Deus para a mulher e mãe, e se a importância dessa função já foi enfatizada aqui, evidentemente devemos considerar a importância fundamental, indispensável e tão ignorada do papel do homem como pai e suas funções de líder e responsável espiritual por seu pequeno rebanho doméstico.

 Em primeiro lugar, foi dado ao homem o impulso para realizar-se como o supridor e provedor de sua casa, o que é uma honra.. Se cada homem desejar, no fundo do coração, essa honra, certamente Deus, que cuida dos pardais e dos lírios, satisfará esse anseio fundamental que ele próprio colocou em seu coração.

 Em segundo lugar (mas não necessariamente nessa ordem de importância), o pai é quem conduz o aprendizado de seus filhos a respeito do que é ser adulto, imprime neles o senso de visão e missão e, principalmente, abençoa seu destino. Segundo Craig Hill em seu livro Bar Barakah, a conotação da palavra hebraica Baruch (abençoar) é autorizar para prosperar não só financeiramente, mas também no cumprimento do destino com os filhos, a saúde, o casamento, a profissão e, principalmente, o ministério.

 Você se lembra de como Isaque abençoou Jacó em Gênesis 27 e de como, quando Esaú chegou, a bênção já havia sido dada? A bênção de um pai é algo concreto, não um amontoado de palavras proferidas mecânica e rotineiramente. Você já observou como a bênção de Isaque funcionou na descendência e fez Jacó prosperar em todos os sentidos até hoje? Você já observou as descendências de Esaú? Não é a mesma coisa; muito pelo contrário. Então, entenda que o pai tem uma bênção a ser ministrada para cada filho.

 Você já sentiu, percebeu ou discerniu qual a bênção e o destino dos filhos que Deus lhe deu? Se não, precisa falar com ele, pois, certamente, ele tem muito interesse na prosperidade do destino dos filhos que lhe confiou. Ele só tem você para realizar essa tarefa com aqueles que lhe confiou.

 Enquanto a mãe está dotada de dons e habilidade para lançar os alicerces, o pai está dotado por Deus de habilidades para levantar o edifício da vida de seus filhos. Nesse aprendizado, está acoplada a função paterna de reforçar, em seus filhos, a identidade, inclusive sexual, no sentido de ficarem liberados para exercer o papel digno do sexo com o qual Deus lhe presenteou.

 Como isso acontece? Vou tentar exemplificar. Tenho um amigo, cuja filha estava fazendo 12 anos. Um pouco antes da data, aquele pai me disse que queria dar um presente significativo para a jovem filha. Como eu havia entendido a mensagem da bênção da identidade sexual, sugeri: “Mande-lhe um buquê de rosas vermelhas e um cartão com um convite para jantar, só você e ela”.

 Aquele pai ficou emocionado com a ideia e fez isso. Dias depois, contou-me que a filha ficara maravilhada e disse que aquele fora o melhor presente de sua vida. Pense bem: o que aquele pai estava fazendo? Reforçando a identidade sexual daquela menina e, ao mesmo tempo, estabelecendo um padrão. Primeiro, ela deveria esperar despertar admiração em um homem. Segundo, esse homem deveria ser alguém que a respeitasse tanto quanto aquele pai a respeita. Pronto, você acha que essa menina vai se jogar nos braços de qualquer predador que se aproxime dela? Evidentemente, será muito mais difícil, pois a repetição de ações como essa imprimirá um senso de valor no coração de uma menina que ela jamais permitirá ser destruído.

 Em certa ocasião, quando meus filhos eram bem jovenzinhos ainda, eles assumiram um papel protetor quando saíam com a mãe deles. Abrindo a porta do carro, segurando o guarda-chuva ou não permitindo que ela fizesse mais esforço do que eles, mostravam que haviam adquirido, ao longo do tempo, estímulos para uma atitude masculina.

 Espero que cada moça seja abençoada com um marido que a trate como deve ser tratada: dando liderança, correndo riscos por ela, sacrificando-se e sempre reforçando sua identidade. Espero igualmente que cada rapaz seja abençoado com uma mulher que o admire e sinta-se orgulhosa por ter tal homem ao seu redor. Esta é a identidade sexual: orgulho santo de pertencer ao sexo com o qual veio ao mundo e liberdade para desempenhar, com honra e beleza, suas funções, servindo ao cônjuge e à família com essa identidade.

 Será que podemos sentir a importância do papel do homem nessa questão de lançar flechas bem-construídas e finamente acabadas para seu destino na próxima geração?

 Que o Pai nos abençoe com santo zelo pelas gerações que nos sucederão, com amor, sujeição e honra uns para com os outros, a fim de que a Terra não seja ferida com a maldição predita por Malaquias!




por Paulo Manzini

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